
SEAERJ mobiliza especialistas e sociedade em debate sobre o futuro das árvores no Rio
A SEAERJ (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro) reafirmou seu papel de liderança no debate técnico e social ao promover um encontro fundamental sobre o manejo da arborização urbana no Rio de Janeiro na tarde da última quarta-feira (28/01), na sede da entidade. O evento registrou uma participação expressiva de associados, profissionais da engenharia e arquitetura, além de representantes de movimentos socioambientais e do poder público.
A discussão focou na urgência de conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação do patrimônio verde, em um momento em que a sociedade civil cobra maior transparência e rigor técnico nos processos de supressão vegetal na capital fluminense.
O Rio de Janeiro enfrenta hoje um déficit de arborização estimado entre 800 mil e 1 milhão de árvores, segundo dados do CAU/RJ. Informações atualizadas revelam que 141 empresas não cumpriram acordos de compensação ambiental, resultando em uma dívida de pelo menos 300 mil árvores que deveriam ter sido plantadas na cidade. Casos emblemáticos, como o corte recente de mais de 70 árvores no bairro do Flamengo para a construção de um empreendimento, são provas da urgência em revisar a legislação e aumentar a fiscalização sobre o licenciamento de cortes.
A importância de preservar e expandir a cobertura vegetal foi o ponto de convergência entre os debatedores e participantes, especialmente diante das ilhas de calor que elevam drasticamente a temperatura em bairros menos arborizados. Em uma cidade com a geografia e o clima do Rio, as árvores são infraestruturas vitais: elas reduzem a temperatura ambiente, melhoram a qualidade do ar, previnem enchentes ao auxiliar na drenagem pluvial e promovem o bem-estar da população.
O debate da SEAERJ concluiu que a arborização deve ser tratada como prioridade de saúde pública e resiliência climática, exigindo um compromisso real do poder público para reverter o cenário de desmatamento urbano.
Consolidando um diálogo plural e técnico entre diferentes setores, estiveram presentes o jornalista, mestre em Engenharia Ambiental e fundador do movimento “Respira, Rio!”, Emanuel Alencar; a arquiteta e doutora em Planejamento Urbano e Regional e coordenadora do movimento “O Rio Não Está à Venda”, Rose Compans; o promotor de Justiça e coordenador do GAEMA/MPRJ, José Alexandre; Pedro Maia, ativista ambiental e fundador do Grupo Reflorestamento Urbano; e o ex-vice-prefeito e ex-secretário municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz.








